Período: 15 a 24 de agosto
Realização: Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Movimento Teatro de Grupo de MG
Patrocínio: Telemig - Sistema Telebrás / Lei Federal de Incentivo à Cultura
Apesar de ter periodicidade bienal, o FIT-BH Palco & Rua, na condição de evento cultural de maior aceitação popular, não poderia ficar de fora da programação do centenário da cidade, ocorrido em 1997. Uma edição especial e mais compacta foi realizada, contando com a participação de sete grupos internacionais, seis nacionais e uma produção Brasil/Índia. Em 1997, a expansão do projeto de descentralização foi ainda mais radical: cada uma das nove regionais da cidade recebeu duas sessões de espetáculos de rua.
Além de continuar a valorizar a diversidade estética e a qualidade, procurou-se homenagear alguns grupos que tiveram passagem marcante pelo FIT-BH: o Générik Vapeur, da França, reapresentou "Bivouac", dessa vez com a participação do Bloco Afro Porto de Minas, e trouxe o novo espetáculo "Coche Porque? Porque Coche?"; o também francês Flash Marionnettes, que conquistou, desde 1996, a simpatia do público ao transpor para o português o texto de "A Corte dos Vagabundos" e a dupla espanhola Boni & Caroli, que reapresentou "Side Car".
O chamado "novo circo francês" - que incorpora diretor e dramaturgia às montagens - do Les Arts Sauts veio ao FIT-BH, assim como o circo tradicional brasileiro, dos Parlapatões, Patifes e Paspalhões (SP), que mostrou "Fabuliô", uma fusão de teatro de rua, clown e técnicas circenses.
Nas montagens, textos de autores consagrados como Valle-Inclán, em "Retablo da La Avarícia, La Lujuria y La Muerte", com o Teatro de La Abadia (Espanha); Nelson Rodrigues em "O Casamento", com o grupo carioca "Os Fodidos Privilegiados" e em "O Beijo no Asfalto", com o Grupo Teatral Encena (BH) e Bernard-Marie Koltès em "Na Solidão dos Campos de Algodão", com o Art in Obra (RJ).
Duas presenças marcantes: o Teatro Circular de Montevideo, criado em 1954 que, além do espetáculo "Aeroplanos", de Carlos Gorostiza, realizou um encontro com o tema "Circular: 43 Anos de Jornada" e uma exposição retrospectiva, com fotos de toda a história do grupo; a outra foi o grupo Teatro Mínimo (Brasil/Índia) que apresentou ao público, além do espetáculo "Kathakali-Teatro Sagrado do Malabar" (do Mahabharata), uma demonstração da técnica do Kathakali, reelaboração de uma das formas dramáticas mais antigas do mundo.
Em 1997, o MTG-MG, afirmando a condição de artistas de seus integrantes, realizou uma grande intervenção urbana, propondo a retomada da cidade para a conquista da cidadania cultural. A "Expedição Zum Zum Zum Lá No Meio do Mar" reuniu 18 grupos de Belo Horizonte e 700 atores. O resultado foi uma grande celebração em plena Praça Sete, no centro da cidade.

